quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

"Dias de Chuva"

Dias de Chuva


Não tenho tempo para coisas pequenas

Não quero inteiros que sejam metades

Não espero nada, senão que seja Tudo

Não quero esperar, quero há que acontecer



Na pressa dos teus beijos

No calor do teu colo

No suor de nossos corpos

No frêmito deste gozo



Quero o brilho deste olhar

Quero um tempo eterno

Quero alimentar primeiro

Quero cantar depois



como dias de chuva, procuravas um abrigo

encontrei-te inteira nas asas da liberdade.
(R. Moran)
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quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

"O Corpo fala"


O CORPO FALA... (quando as luzes irradiam)


Somos seres luminosos, dotados de radiâncias, inclusive das que nos circundam. O corpo também manifesta impressões desta energia circundante. E o melhor exemplo disso é o rubor. Quando acontece, normalmente assim ficamos porque alguém nos elogiou; porque nos disse algo que fez com que nos sentíssemos envergonhados; porque alguém que nos ama disse algo que nos fez enternecer; nos deixou encabulados.
Nesse momento ocorre um aumento do nível de energia em nossos chakras, principalmente do chakra cardíaco, onde uma luz intensa se expande e conecta-se com todos os outros canais de energia e particularmente com o chakra coronariano.
Ora, como todos sabemos, luz é energia, e energia gera calor. Esse aumento súbito das luzes, dessa energia, do calor gerado sem que nosso corpo tenha tempo de se controlar, manifesta-se em nós através do rubor. Então podemos inferir que o rubor é provocado por calor; calor este emanado dos canais de força expandidos de nosso próprio ser.
E não, não é um defeito. É uma virtude... a virtude de sermos capazes de brilhar com toda a potência inerente ao ser luminoso que habita em nós.


(R. Moran e participação especial)

#ontem a noite ainda não tinha claro o que iria postar hoje. Assim agradeço a quem me deu mais do que inspiração; me ajudou a escrever e me pediu que eu colocasse esta questão no blog.
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terça-feira, 6 de dezembro de 2011

LUZ...

Luz do sol
Que a folha traga e traduz
Em ver denovo
Em folha, em graça
Em vida, em força, em luz...


Céu azul
Que venha até
Onde os pés
Tocam a terra
E a terra inspira
E exala seus azuis...


Reza, reza o rio
Córrego pro rio
Rio pro mar
Reza correnteza
Roça a beira
A doura areia...


Marcha um homem
Sobre o chão
Leva no coração
Uma ferida acesa
Dono do sim e do não
Diante da visão
Da infinita beleza...


Finda por ferir com a mão
Essa delicadeza
A coisa mais querida
A glória, da vida...


Luz do sol
Que a folha traga e traduz
Em ver de novo
Em folha, em graça
Em vida, em força, em luz...
            (Caetano Veloso)

Há alguns dias, um raio de luz tem me iluminado aonde quer que eu vá... luz de assombro manto, luz de fundo cristal, luz de pátina cintilante, luz de brinquedo a iluminar; de brincar com minha criança interior.
Tenho andado mais calmo, tenho visto paz em cada passo, tenho encontrado sorrisos em cada palavra tua. Na atenção; clareza, no som que inspiras; arroubo, no cantar que expiras; amor. Do muito que há em ti me tocas tua magia, tua lúcida luz a me inundar de sensações. No rumo deste conhecido desconhecido, caminho à ti, com a certeza do Guerreiro que sabes que o amor, adormecido, apenas sonhava esperando a hora certa de acordar.  E agora, com preguiçosa molência, desperto transita cheio de calma e compenetração no silêncio carregado de estrelas desta noite que não tem mais fim. E nestas horas solenes, se maravilha de igual maneira a olhar deslumbrado a poalha de luz desta estrada aberta no céu notívago por onde agora caminhamos uníssonos. Mas foi preciso, para o saber, que tu me aparecesses. Tua luz é testemunha...
                    (R. Moran)
#para alguém que sabes que o impossível é somente um pouco mais difícil de realizar, mas nunca impossível.
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domingo, 4 de dezembro de 2011

"A BRUXA E O LUSTRE"


“A Bruxa e o Lustre”

(Uma viagem incidental)


A Bruxa sobrevoou lentamente o Lustre. Veio assim, seguindo o canto do vento, passando por janelas abertas de par em par, por entre diáfanas cortinas, voando em espiral até tocar de leve suas faces aquecidas.

O primeiro contato trouxe o calor que a filha da natureza reconheceu como sendo uma das necessidades básicas do ser vivente: abrigo, alimento, água e primevo fogo.

Ao se distanciar um pouco, a Bruxa observou os detalhes do Lustre. Ele era assim

Pendia de um fino fio de aço cristal do teto carmim aveludado. Onde o contato do fio se dava com a base invertida do Lustre, haviam miríades de diamantes o circundando. Descendo ao redor do fio suspensor, braços translúcidos carregados de cristais como pencas de uvas sirah. Com transparência e lapidação precisa, os cristais permitiam uma profusa reflexão dos feixes de luz, proporcionando luminosidade, brilho e acima de tudo encantamento. Os feixes de luz espalhados pelos braços dos lustre clareavam os pendentes que o suspendiam, irradiando luz em suaves ondas que se espalhavam por toda a sala.

A Bruxa deu meia-volta no ar e notou que da base pendia um outro fio de aço cristal, que ia dar numa pirâmide invertida de faces translúcidas de alabastro, onde em seu interior ardia um coração incandescente.

Se encontrava numa sala que bem podia ser do sec. XVI ou XXI. Mas naquele momento, o que importava era que a bruxa tinha calor... e ele era bom.

A Bruxa tocou de novo a face invertida da pirâmide tentando ficar um pouco mais, porém o calor doeu e ela ergueu voo de novo sobre a sala.. Distanciando um pouco mais, a Bruxa percebeu que por mais que machucasse, a luz exercia um fascínio do qual não podia se livrar.

Então aproximou-se uma vez mais e extasiada, percebeu que o amor estava além de limites. – O que era aquele calor a deter uma chama que nem o vento e o tempo hão de apagar?

E naquele ultimo lampejo do que é denominado princípio inteligente, a Bruxa sobrevoou pela última vez a sala e se precipitou no interior da pirâmide, onde o coração incandescente a esperava.

De manhã, ao abrir a porta da sala, o alquimista se deparou com o corpo estorricado da bruxa no chão. E ao olhar o lustre, ele descobriu que nem onde a força e a sabedoria mundana hão de penetrar, a verdadeira essência do ser vivente e sua consequente “pedra filosofal” estava em ser feliz, ainda que fosse por um fugaz momento: ouro, vida, amor ou primeva luz.

E pensando nisso ele chorou, e largando seus livros – agora inúteis – saiu a contar pelo mundo o triste e belo amor de uma Bruxa por um Lustre.



(R. Moran)
(Obrigado Renato Russo, pela música de fundo.

Obrigado aos amigos incidentais deste ensaio.)

(da série: Coisas a dizer...)



01/01/1990 - “Na era de Aquário”



Apesar de sofrer intervenções atuais, penso que a data de conclusão merecia continuar perdida no tempo, naquela madrugada de réveillon onde subitamente me vi chorando sem saber, e pegando a caneta, escrevi em poucos minutos a estória da Bruxa que entrou pela janela quando estava “fora de mim”, e morrendo na minha frente, me ensinou uma lição. Que quando após no novo século, me vi subitamente chorando novamente, soube que alguém ainda estava por vir...

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sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Quero um Mundo...

Quero viver em um mundo em que o sorriso seja franco e o amor verdadeiro. Que os seres sejam sobretudo humanos, sem rótulos, sem outros títulos a não ser este. Quero viver num mundo sem hipocrisias, sem que sejamos golpeados na alma, no cantar, na cabeça, com palavras que ofendem e destroem. Quero viver num mundo em que possamos entrar em todas as portas, quintais e jardins. Que o homem não seja tolhido no seu direito de ir e vir, de caminhar ereto olhando seu semelhante nos olhos. Com brandura...
Não quero que ninguém seja perseguido por homens de preto, que ninguém tenha suas flores roubadas do seu vaso de plantar sonhos, que ele tenha direito a sonhar e a viver todos os sonhos possíveis, imagináveis e realizáveis. Quero um mundo em que as religiões não esmaguem os homens com seus pesos e tradições. Que o homem não seja induzido a acreditar em outra coisa que não seja o Amor. Quero que a grande maioria, a única maioria que é a totalidade de todos nós, possa florescer em saber, cantar, ler, ouvir, falar, acreditar no impossível; sabendo que o impossível é apenas um pouco mais difícil de realizar. Mas nunca impossível...
Quero que o amanhã seja azul, branco e amarelo. Que tenha verde nos pés, rosa no coração e violeta nos pensamentos. Que as mãos espalhem lilases carmins, que os olhos sejam cobalto purpúreo e das bocas se desprendam cânticos e beijos rubros. Escrevo sabendo que sobre nossas cabeças pairam ameaças, fumaças, desconfiança e desamor; sem contudo deixar de ter esperanças.  Escrevo por que esta é minha minha armadura, minha arma, minha alma, minha luta. Luto por esse desejo extenso, inesgotável, de tantos encontros, de tantas crenças a nos unir, de que a verdade prevaleça e o amor não seja apenas substantivo. Que seja uma sentença completa e definitiva com suas nuances sutis a engendrar novos conceitos de vivências de se querer bem. Sem distinção...
Tomei um caminho há muito tempo porque acredito que este nos leve a uma amabilidade duradoura, a um futuro maior e mais abrangente. Livre de dogmas, de religiões, políticas, ladrões de almas, de usurpadores da palavra e do conceito 'Amor'. Por mais que façam, por mais que me desprezem em minha utopia, por mais que digam "És louco!"; mais eu vejo brotar no meu Eu uma fé absoluta no destino humano, uma convicção cada vez mais onisciente e consciente de que nos aproximamos de uma grande candura universal. Neste momento derradeiro de transição para uma nova era, novos tempos risos, em que muitos não acreditam, sigo sabendo que a verdade e a luz entrarão por nossos olhos entreabertos, onde todos nós nos entenderemos e progrediremos juntos neste amanhã. E afirmo categoricamente: esta esperança em mim é definitiva e irrevogável. Este amanhã nos espera....

(R. Moran)
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quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

No encontro deste olhar...



Meu olhar fixo nas ondas, que se quebram em cristalino insondável
No vento austral que varre meu silêncio, que canta escondida renovada canção
No movimento das marés, convulsos caracóis num ir e vir inexorável
No sol que se põe, trazendo olhar poente pedindo o fim desta abstenção

Ressurjo do mar em praia de pátina branca
em lençóis imaculados de ar madrigal
em tenra fruta que meu sangrar estanca
em doce paz que me devolve tal e qual

Meu olhar agora é como quem se sente....nascido de cada sofrimento
Para a eterna novidade deste mar, para o eterno encontro deste olhar.

...Ah, como a noite me encanta.                                  (R. Moran)

                                                  
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