sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

No nosso abraço...


No nosso abraço... (sobre a possibilidade do encontro)



No momento do encontro, que saibamos perdoar a nós mesmos, que estejamos desprovidos de armaduras, que o medo seja nosso aliado, a vontade nosso guia, o olhar nosso farol a nos conduzir aos recônditos interiores, onde descansa nosso desejo de amar adormecido entre rendas e tapetes coloridos. Que desperto n'alma crie a vontade de ir além, de abrir o peito e mostrar tuas feridas, para que saibamos cuidar com zelo e tomar em nossas mãos ternas o destino de nossos corações.

Que possamos entender que toda procura tem um achado, todo caminhar uma estrada a nos levar, toda busca um fim. Que seja então o princípio de um Todo, o início de um movimento maior, de águas navegáveis a nos transportar aonde nascem os sonhos e onde surge nossa certeza de amar. Que encontremos ressonância para a beleza e o poder de descobrir o lado interessante de cada ato trivial, de cada banalidade presente em nossas vidas. Agora não mais banais ou triviais, apenas essenciais.

A partir deste encontro, que nos transformemos no melhor que possamos ser, na atitude de dar valor e ser valorizado, no saber compreender e ser compreendido, no dar e receber. Para que tu te sintas plena de poesia, que sintas os versos e as cantigas que te elevem, que vivas o silêncio que a contagie de esperanças. Para que possas sentir que rendas e tapetes não são mais necessários, porque teu amor agora se sente bem em cantar e adormecer em meus braços. No nosso abraço...

(R. Moran)
Jan/2011

Da série: Coisas a dizer...(para alguém que está por vir)

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Permissão para entrar


Permissão para entrar


Escrevo desesperadamente. Escrevo diuturnamente. Escrevo porque é a forma de gritar meu espanto. Esta tem sido minha posição: sobre as trevas; conhecidas por mim em seu negror profundo; surge diante de meus olhos o sentido da inadequação e o primeiro sinal de que a tênue linha que separa sanidade e loucura estão mescladas em meu âmago, frutos da mesma moeda. Por isso necessito escrever as muitas coisas já ditas, reditas e cantadas. Para que eu não me perca do meu ponto de vista menino que empreende uma composição sobre a Lua e seu aparador de estrelas, as casas do relógio e o que mais que lhe tenha sido revelado no caminho. Em versos dançarinos, passo ao largo da normalidade, da ordem, da responsabilidade de me saber, das instituições estabelecidas e falidas da condição humana tolhida de amor.


Escrevo para buscar transcendência dentro de minha poesia e me fazer vivo; inteiro ainda que aos pedaços. Mas nunca pela metade! Escrevo para ter direito a esconjurar a miséria da sociedade humana s.a ... assim, tudo no diminuto para se estabelecer uma analogia. Para provar que podemos ser maiores que essa miséria. Os que não me entendem; os pessimistas de plantão; já veem os clarins do apocalipse em minha prosa. E não é a eles que dedico este tratado.


Escrevo hoje para quem transcendeu o comum e o trivial da vida. E para isso peço permissão para entrar e sentar contigo nesta sala, nesta cadeira, neste sofá, na beira do cais. E se continuou a ler até aqui é porque tens a curiosidade própria dos questionadores, e sei que não gostas de largar o osso. Poderia até te dizer que parasses de ler, mas isto iria ferir teus princípios de sorver tua angústia de saber até a última taça. E é imperioso que assim acredites.


Nascemos sem saber nada e morreremos sem saber quase tudo. Mas é do pouco que sabemos que precisamos ter tenência para discernir o que nos faz bem, o que nos possa proporcionar prazer e felicidade, ainda que teime em sua condição fugidia.

Que nos chamem de loucos mas não nos chamem de burros, já que diferimos da mesmice que nos foi implantada desde o nascer. E o principal é que o louco pode se adaptar ou ser curado, mas a ignorância é cega e burra em si mesma, e para isso não há remédio. E afinal, o que é ser louco? É ser verdadeiro, autêntico, não permitindo que nos transformem em algo tão banal, não necessitando de máscaras para sobreviver? Então o sou, ainda que o rótulo esteja mal colocado.

Precisamos sair do discurso e ter atitude. Dizer “não” é fácil, difícil é justificar o “sim”. Gostem de mim do jeito sou ou não gostem, porque também não gosto de lobo vestido em pele de cordeiro. Todos temos opções, vivemos em um grande labirinto e a cada curva do caminho somos chamados a fazer uma escolha. A saída pode estar aqui perto, ou então a alguns universos de distância, dependendo de nossa percepção, se queremos ou não sair deste emaranhado que se tornou a ilusão da vida. E não há nada a fazer por quem insiste em querer cavar para atravessar paredes pela incapacidade de ver a porta que dá passagem mais adiante. E não adianta querer mostrar, cada um precisa descobrir e ver por si só. Para que possamos entender adiante  que todos somos complementares, que necessitamos do que o outro tem há nos ensinar.


Comece a absorver o mundo com outros olhos; não se foque no trivial. As pessoas estão buscando outras pela casca. Não há um conhecimento aprofundado do Ser. Precisamos exigir conteúdo, precisamos descartar os valores superficiais. A mídia nos vende o que eles querem que você compre, e não o que nos faça feliz. Será que precisamos de muito? A humanidade parece um boi indo pro matadouro. Conheço os homens pelo valor que dão as coisas do espírito. Alguns são tão pobres, tão pobres, mas tão pobrezinhos, que a única coisa que eles têm é o dinheiro. A ordem das coisas está invertida e a lobotomia evoluiu. Não se usam outras brocas a não ser o poder da palavra. Religiões perigosamente estão crescendo no mundo, onde a razão está baseada na dominação dos humanos pelo medo e deturpada visão do Amor. Ninguém pode adquirir compreensão de outrem, porque a compreensão, a verdade relativa a uma questão só pode ser examinada, sentida e incorporada pela própria pessoa que busca respostas. Por conseguinte, a comunicação escrita ou verbal só tem importância para transmitir-nos um certo significado, levar-nos a certa profundidade da questão. Mas cada um tem que avaliar por si mesmo e com muita atenção o que se lhe apresenta, nada aceitando nem rejeitando. De onde viemos não posso ou não devo dizer, mas para onde vamos depende de nós. Entendendo que o que nos move não são as respostas – são as perguntas – indague mais, questione mais, duvide mais e talvez sejamos impulsionados para a luz da verdade.

Quanto a mim, o peso do conhecimento me faz sentir como sendo um estranho em terras estrangeiras, onde não conheço os costumes ou a linguagem das outras pessoas. Faz com que me sinta distante dos homens comuns, triviais. Por isso rezo a Deus que tu venhas resgatar-me deste lugar tão hostil. Sigo esperando por ti, na calma certeza que caminhas rumo a Unidade do todo que és tu, do todo que eu fui, do imenso Tudo que seremos Nós. Já fui longe demais, não tenho porque voltar...

Apesar de me achar são, meus pensamentos saltam como ébria bailarina.

(R. Moran)

 * Como postado anteriormente, este texto remete a uma das inúmeras conversas sobre a vida com meu amigo Chico. Como prometido, aqui vai mais um texto que surgiu das reflexões da condição humana e da necessidade de nos distanciarmos da tola ilusão de  mundo que nos cerca. 




* todos os direitos reservados ©

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Para onde caminhamos...


Em quase sua totalidade, a humanidade têm duas almas, dois seres habitando o mesmo espaço interior de uma pessoa, porque assim acreditam. Acreditam terem duas partes contrapostas e muitas vezes hostis: o divino e o diabólico, o sagrado e o profano, o claro e o escuro, o sangue Pater e o sangue Mater, o amor e o ódio, o bem e o mal, o bom e o mau. Este mundo que se vê é o mundo da relatividade, do tempo, das dualidades em caótica mistura. Está longe de ser substancial. Muitos dos próprios conceitos definidos pelos homens são mais abstratos do que o Amor. Se digo “abaixo” ou “acima”, isso já é motivo de reflexão, pois só pode existir tais conceitos no pensamento, na abstração. O mundo verdadeiramente desconhece o que é “abaixo” ou “acima”, posto que está como nave deste imenso Universo, onde não faz nenhum sentido dizer o que está lá em cima ou o que está aqui em baixo para ele. Da mesma forma que o mundo diz que parte dele é dia e a outra metade é noite. Mas o universo desconhece isso, pois sabe que o claro e o escuro são frutos da mesma estrela, da mesma unidade de luz, ora iluminando, ora fazendo sombras.

O Mundo Real é aquele que ultrapassa o tempo, que unifica, é o Absoluto, é Deus, o infinito, o ilimitado, o incondicionado, onde o tudo é nada e o nada... Tudo! Este pobre mundo é o mundo das formas e da multiplicidade, criação ilusória da mente. É o maya dos hindus. Todas as pessoas que habitam este limitado mundo não possuem propriamente uma vida plena de possibilidades, ou seja, carecem de forma e de essência, apesar de acharem que às tem. Fazem isso por que sua existência é um intenso movimento de fluxo e refluxo, suas almas são infelizes e dolorosamente partidas, são arredias e insensatas com seu semelhante, causam dores e destruição emocional ao longo da existência; quando pouco; várias. Alguns poucos; bem poucos diga-se de passagem; estão propensos a verem um sentido preciso em meio ao caos, através da visão entre mundos e da percepção alterada do cotidiano. E há uma certeza estabelecida de que, independente da desordem, existe um único fluxo impulsionando o cosmos e é para lá que todos nos dirigimos. Um brinde então ao novo futuro que se anuncia.

- Onde estarás daqui a 5 meses? E daqui a cinco anos, cinco décadas, cinco séculos? Só sei que lá estarei, e verei coisas incríveis...

(R. Moran)

* todos os direitos reservados ©




domingo, 8 de janeiro de 2012

Tecendo considerações...



Na verdade, só posso tecer considerações sobre a razão, ainda que tente através da razão me apropriar das coisas do coração. A única coisa que me leva a tecer considerações é a minha própria existência. Sobre um amor, sobre relacionamentos, da justaposição de uma pessoa e outra, sobre os inteiros e não das metades. Não falo só de mar, de amar, mas de minha vida. Talvez não consigam compreender, mas não falo de uma pessoa, mas de todos! E do todo... do que me dá forma, do que sou feito; ondas e espumas; céu noturno e dor; campos verdes e trilhos de aço; canto geral e estofo de poemas. Falo da forma, de conteúdo. Falo de inter-relacionamentos, falo de Deus, do Diabo, do céu e do inferno, do claro e do escuro, o som e o trovão, do dia, da misteriosa noite que nos aguarda. Desmistifico a dualidade, desprezo o banal e o cotidiano e busco na calma de um olhar toda unidade. Eu vejo os olhos com outros mundos.

Eu me sinto peculiar diante de tantas visões magistrais... 

(R. Moran)

* todos os direitos reservados ©

sábado, 7 de janeiro de 2012

Correndo com o rio...


Adentrou meu pensamento: O que pode nos tornar melhores? Realmente felizes?

Na simplicidade do rio que corre para o mar, fica uma lição. Na tua calma contemplação, há a certeza de que a fluidez permeada o leva além, ao encontro da imensidão azul. Mas sabendo que no caminho existem perigos, corredeiras e quedas antes que ele possa se integrar ao Todo, ao Absoluto oceano. Devemos assim navegar, acreditando que com a força de nossos braços e os remos do destino em nossas mãos iremos alcançar o sagrado destas águas, e que elas possam nos tornar tão puros e tão sinceros novamente.
E você, o que acredita que possa lhe tornar feliz? O que estás fazendo para isso? 

Vamos navegar, olhe, o rio nos chama...

(R. Moran)

* todos os direitos reservados ©

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Dos amores que vão... nunca em vão





Tenho comigo que os amores nunca são em vão
por piores que deixem revoluto intenso coração
por perdas e danos nos obrigam assim prosseguir
lutar para manter o rumo sem nos deixar extinguir

Ah! só a dor em sua luminescência abissal
busca clarear o íntimo escondido da alma
na sua fúria burlesca de tempestade mistral
nos forja sobre o fogo e bigorna de trauma

Depois de renovados surgidos das cinzas
caminhos incontinentes febris que se abram
a nos conduzir céleres ao jogo das rimas
na busca concreta de amores que se caibam

Do caminhar que se torna esta incomensurável sobrevida
do imenso naval oceano rumo ao imponderável desconhecido
vamos singrando em fulgor de noite que nos é impingida
procurando tateantes o amor; não morto; apenas interrompido...


(R. Moran)

..
...da série: Coisas a dizer... para alguém que está por vir.
* todos os direitos reservados ©